professor

mar 122026
 
Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. (Gênesis 3:1)

Devido ao diabo ter usado a serpente para enganar Eva no jardim do Éden, esse réptil tem sido objeto de muitas alusões, por vezes exageradas. Ellen White faz a seguinte descrição da serpente, tal como se apresentava antes do pecado: “Era então uma das mais sábias e belas criaturas da Terra. Tinha asas, e enquanto voava pelos ares apresentava uma aparência de brilho deslumbrante, tendo a cor e o fulgor de ouro polido.” (Patriarcas e Profetas, pág. 53). Ao sobrevir o pecado, a serpente foi condenada a arrastar-se sobre o ventre, em vez de voar entre o arvoredo, como fazia dantes.

Mas talvez a serpente tenha recebido mais condenação do que mereça. Ela é usada através da Bíblia como ilustração do pecado, e tem mesmo muitas características que se adaptam a semelhante descrição, mas esses traços frequentemente se referem às ações ou ao caráter do diabo. Se pudéssemos separar as características atribuídas a Satanás das qualidades do animal, talvez pudéssemos apreciar o valor das serpentes como cumprindo sua parte no equilíbrio da Natureza.

Existe uma característica física das serpentes que apresenta uma ilustração muito interessante de um traço particular do diabo, e talvez dos seres humanos em geral. Não tendo membros inferiores, a serpente tem de depender das grandes escamas do ventre para se locomover. Essas escamas, ou placas, sobrepõem-se de tal maneira que ela só pode ir para a frente, e nunca para trás.

Como a serpente, da qual recebe o nome, Satanás chegou ao ponto do qual não pôde voltar. A seguir ao primeiro estágio de sua rebelião no Céu, Deus ofereceu perdão a Satanás — naquele tempo chamado Lúcifer — se ele reconhecesse seu erro, cometido por palavra e ação, e se arrependesse. Quase que o fez, mas o orgulho, à semelhança das escamas da serpente, não lhe permitia voltar atrás. Daí temos de aprender uma lição.


Para hoje: Josué 3

mar 112026
 
Avigoram-se as árvores do Senhor, e os cedros do Líbano que Ele plantou, em que as aves fazem seus ninhos. (Salmo 104:16 e 17).

O pau-brasil é uma árvore grande, da família das cesalpiniáceas, que ocorre no Brasil, em outros países sul-americanos e nas Antilhas. É armada de espinhos que se estendem até a ráquis (nervura principal) das folhas; possui galhos abundantes e casca cinzenta e esponjosa. As flores são pequenas e amarelas, formando panículas terminais; o fruto é uma vagem comprida e seca, com sementes pretas. O cerne da madeira é cor de brasa, de onde vem o nome “brasil”, ou pau-brasil, dado pelos portugueses. Por ocasião do início da colonização, o litoral brasileiro era muito rico nessa planta, que ainda hoje é abundante em serras e grotões. Tornou-se objeto de importante comércio, quer por parte dos portugueses, quer de corsários de várias nacionalidades que então infestavam o litoral. Tornou-se tão apreciada que o nome se estendeu ao país. Serve para construção naval, marcenaria de luxo, obras de torno, arcos de violino e dormentes de primeira qualidade. Produz a brasilina, matéria corante vermelha, outrora muito empregada para tingir tecidos de algodão e de seda, bem como na fabricação de tinta de escrever vermelha, mas hoje praticamente em desuso. (Mérito.)

Eurico de Góis refere-se, em sua interessante obra “O Culto e o Amor ao Livro”, a um manuscrito da Biblioteca de Nápoles intitulado “De Arte Illuminandi”, datado do ano 1400 de nossa era. O texto explica que as cores rosa e vermelho, usadas nessas iluminuras, “se fabricam com excelente madeira de brasil (brasilii). Esta não deve ter sido outra que o pau-brasil”. Ter-se-ia explorado o nosso país em tão vasta escala antes da vinda de Cabral? Aliás, não há dúvida de que outros navegadores estiveram aqui antes do almirante português. — A Fascinante História do Livro. (Iluminura era um delicado trabalho de ornamentação executado à mão, muito comum em livros e pergaminhos da Idade Média, constituído de letras ricamente coloridas, folhagens, flores, etc. — Dic.)

Através da Bíblia, árvores são empregadas para representar pessoas. Cristãos sadios são comparados a árvores junto a rios (Salmo 1:3), dos quais absorvem seiva abundante. Podemos comparar essa seiva ao Espírito Santo, que dá força e vigor ao crente.


Para hoje: Josué 2

mar 092026
 
Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus. — II Coríntios 7:1

O pangolim é um mamífero que habita a Ásia e a África. Tem o corpo alongado, recoberto de escamas ou apêndices córneos sobrepostos uns aos outros em parte, lembrando as telhas de um telhado. A cauda é comprida e os membros são curtos. A boca é desprovida de dentes e a língua é comprida e protrátil (que se pode alongar para a frente).

As escamas possuem bordos cortantes. Quando o animal se enrola, as escamas levantam-se, passando a constituir um meio poderoso de defesa. Alimenta-se principalmente de formigas. Neste, e em outros particulares, lembra o nosso tamanduá-bandeira — esse belo animal que, por motivo da ignorância e crueldade dos caçadores, está em vias de completa extinção. O pangolim passa o dia no oco de uma árvore ou numa toca, de onde sai à noite em busca de comida. Quando sente um perigo, curva a cabeça contra o peito, protege o focinho com as patas dianteiras e enrola-se todo.

Mas o que nos interessa agora é a curiosa maneira pela qual o pangolim faz o seu asseio. Embora possa se “lavar” com sua comprida língua, muitas vezes deixa que as formigas façam a limpeza. Sentado sobre um formigueiro, abre as escamas e deixa que as formigas “limpem” todos os interstícios. Então, o animal se dirige a um rio ou represa próximos, mergulha por um instante e as formigas se afogam.

A Natureza tem mil e um modos de manter as coisas limpas. Parece que uma das regras do viver bem é a limpeza, o asseio. Deus, que fez a Natureza, requer que a limpeza vá mais longe do que a superfície da pele. Como nos diz nosso texto de hoje, Ele pede que nos purifiquemos de toda a sujidade da carne e do espírito. Isto abrange corpo, espírito e alma.

Devemos cultivar pensamentos puros, pensamentos que não deixem resíduos nocivos à saúde da alma. Uma excelente regra de higiene mental acha-se consubstanciada em Filipenses 4:8: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”


Para hoje: Deuteronômio 34

mar 082026
 
Quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes. — Mateus 25:40.

Um comerciante rico de Nova York, retornando para casa numa tarde fria, encontrou na soleira da porta uma criança pobre, descalça e banhada em lágrimas. Seu coração ficou possuído de compaixão. Tomou-a, alimentou-a, vestiu-a e, entregando-lhe uma cesta com comestíveis e um bom cobertor, mandou-a para casa, dizendo-lhe que viesse a ele cada vez que necessitasse de alimentos, roupa ou combustível.

A mãe, que era viúva, sentiu-se confortada, e sempre que a pobreza a atingia demais, a criança ia à casa do comerciante. Um dia, chegou chorando amargamente. A mãe havia morrido, e ela não tinha ninguém por si, senão o bom comerciante.

Ele providenciou o enterro da falecida e levou a filha para casa até que pudesse escrever aos parentes, porque a mãe se casara contra a vontade dos pais e estava deserdada. Os parentes então vieram buscá-la na casa do comerciante.

Com o correr dos anos, sobreveio um infortúnio ao homem que tão misericordioso havia sido. O falecimento de seus familiares e a bancarrota financeira o deixaram na pobreza e ao desamparo. Um dia sofreu um acidente e foi levado ao hospital. Isso foi noticiado pelos jornais, que fizeram um resumo de sua vida e seu revés.

Uma bondosa senhora leu a notícia e dirigiu-se ao hospital, em visita ao pobre homem, já idoso. A princípio ele não reconheceu nela a pequena que um dia socorrera. Ela havia recebido boa educação, casara-se e vivia na abastança. Nunca esquecera seu primeiro benfeitor, mas não conseguira relembrar os seus traços até o momento em que leu a notícia no jornal. Levou-o para casa e cuidou dele, durante o resto dos dias de sua vida, como se fosse seu próprio pai. — The Illustrator.

Não sabemos quanta influência terá um gesto nosso, e quanta bênção trará. Disse o sábio: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.” — Eclesiastes 11:1 (Nota: O texto original citava Provérbios, mas este versículo pertence a Eclesiastes).


Ano Bíblico: Deuteronômio 33

mar 072026
 
Declarou-lhes, pois, Jesus: “Eu sou o Pão da vida; o que vem a Mim, jamais terá fome.” S. João 6:35.

Você já notou quantas de nossas hortaliças comuns são raízes da terra? Rabanetes, beterrabas, cenouras, batatas e mandioca são raízes que se encontram na feira e em qualquer supermercado. Essas e outras raízes comestíveis têm salvo pessoas de morrer de fome.

Recentemente, o botânico Davis Cloward foi à Nova Caledônia em busca de várias espécies de bananas silvestres, a fim de usá-las em experiências de hibridação de plantas. Em certa região, encontrou ele os mais sadios e robustos nativos que já vira. Vendo que não havia por ali gado nem plantações vastas, e sabendo que a caça e a pesca não eram correntes, ficou a pensar qual seria o fator responsável por aquela situação. Havia ali moitas de bananeira, mas seriam precisos dois quilos e meio de bananas para alimentar uma pessoa, se seu alimento consistisse apenas nisso. E as bananeiras que Cloward viu não seriam bastantes para manter os habitantes da localidade.

O botânico logo descobriu que o principal alimento daqueles nativos vinha de debaixo da terra: as gigantescas raízes das bananeiras. Essas raízes, que pesavam de 25 a 40 quilos, torradas ou assadas, tinham o gosto de batata-doce, mas eram de paladar melhor ainda. Análises demonstraram que essas raízes continham menos açúcar e mais vitaminas naturais, sais minerais e proteínas do que a batata-inglesa. Os nativos cortavam um pedaço da raiz com o broto e o plantavam, e assim conservavam os bananais. Tinham, deste modo, uma perpétua provisão de excelente alimento.

Os homens pensantes, como temos lido nos jornais, estão preocupados com os problemas que enfrentamos quanto à alimentação dos habitantes do mundo, que aumentam sempre, sem haver um correspondente aumento das fontes produtoras de alimento. Não estará, então, na raiz da bananeira um elemento que mereça as atenções dos responsáveis?

Jesus, a “raiz e a geração de Davi” (Apocalipse 22:16), disse: “Eu sou o Pão da vida; o que vem a Mim, jamais terá fome”. Justamente como os alimentos provenientes de raízes fazem muito para suprir o sustento para o mundo faminto, assim Jesus pode suprir todo o alimento espiritual que precisamos para a vida eterna.


Para hoje: Deuteronômio 32

mar 072026
 

A leitura é um dos pilares fundamentais na educação das crianças, especialmente nas séries iniciais do ensino fundamental. Neste contexto, os gibis, ou histórias em quadrinhos (HQs), surgem como uma ferramenta valiosa para o engajamento e a formação de leitores competentes. Com suas ilustrações coloridas e narrativas dinâmicas, os gibis podem captar a atenção das crianças e facilitar o entendimento de temas complexos de maneira lúdica e acessível. Neste artigo, exploraremos a importância da leitura de gibis para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais dos alunos do ensino fundamental.

Um dos principais benefícios da leitura de gibis é o estímulo à imaginação e à criatividade. Ao acompanhar as aventuras dos personagens, as crianças são incentivadas a criar suas próprias narrativas e a desenvolver suas habilidades de contar histórias. A mistura de texto e ilustração nas HQs promove uma interpretação mais rica e diversificada, ajudando as crianças a visualizarem o que estão lendo. Essa combinação de elementos visuais e verbais não só torna a leitura mais atraente, mas também estimula o pensamento crítico, já que as crianças começam a fazer conexões entre as situações da história e suas próprias experiências de vida.

Além disso, os gibis têm um papel importante na aproximação da literatura e da cultura pop com as crianças. Muitas vezes, os temas abordados nas histórias em quadrinhos refletem questões da sociedade atual, como amizade, inclusão, diversidade e superação. Ao explorar esses temas através do olhar de personagens que enfrentam desafios e aprendem lições de vida, as crianças conseguem se identificar e aprender valores essenciais para a convivência em sociedade. Dessa forma, os gibis servem como uma ponte entre a realidade dos jovens leitores e os conceitos que estão sendo discutidos no ambiente escolar.

A leitura de gibis também contribui para o desenvolvimento da competência leitora e da fluência no idioma. Nesse sentido, ao ler quadrinhos regularmente, as crianças aprimoram seu vocabulário e a compreensão de estruturas narrativas. Os diálogos curtos e dinâmicos das HQs costumam ser menos intimidador que a leitura de prosa literária, o que as torna uma excelente porta de entrada para a literatura. Essa progressão natural no prazer de ler pode ajudar a formar leitores mais críticos e autônomos no futuro, além de fomentar o hábito da leitura de forma geral, beneficiando todo o processo educativo.

Para muitas crianças, os gibis trazem ainda a oportunidade de socialização e compartilhamento de experiências. É comum que durante os intervalos, os alunos se reúnam para trocar gibis ou comentar sobre os últimos lançamentos e histórias que leram. Esse aspecto social da leitura é fundamental, pois ajuda a aprimorar habilidades de comunicação, empatia e respeito pelas opiniões alheias. Os professores podem se beneficiar também ao incluir gibis em suas metodologias de ensino, promovendo discussões em grupo e atividades que estimulem o debate sobre temas presentes nas histórias, desafiando os alunos a pensarem criticamente sobre os valores e a moral retratados.

Portanto, a leitura de gibis nas séries iniciais do ensino fundamental é uma prática enriquecedora e multifacetada. Ao engajar as crianças com narrativas visualmente estimulantes, promover o desenvolvimento emocional e social e reforçar habilidades linguísticas, os gibis ajudam a construir uma base sólida para a formação de leitores e cidadãos críticos. Encorajar o hábito de ler HQs deve ser uma iniciativa não apenas dos educadores, mas também das famílias, pois assim, conseguimos criar um ambiente propício para o aprendizado contínuo e significativo durante a infância.

mar 042026
 

No final do século XIX, a literatura brasileira passou por uma guinada: o romantismo perdeu espaço e surgiram duas maneiras de encarar a realidade — o Realismo e o Naturalismo. Ambos nascem como reação às idealizações românticas e compartilham um interesse pela sociedade concreta, pelas relações humanas e pelas contradições do país em transformação. Mas, se o objetivo comum era “mostrar” o real, a lente de cada escola era diferente: o Realismo põe um espelho crítico, o Naturalismo uma lupa científica.

O Realismo, encarnado principalmente em Machado de Assis e em obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, privilegia a análise psicológica, a ironia e a ambiguidade moral. É um realismo introspectivo: o narrador pode ser mestre em sarcasmo, desmontando hipocrisias da elite urbana e expondo a pequenez humana com sutileza. A linguagem tende ao afiado e ao conciso; a intenção é compreender motivações, ironizar pretensões sociais e provocar reflexão. O projeto realista é, portanto, crítico e filosófico — menos interessado em provar causas biológicas ou sociais e mais em desmontar aparências e convenções.

 O Naturalismo, com nomes como Aluísio Azevedo (O Cortiço) e Adolfo Caminha, toma emprestado do cientificismo da época ideias de determinismo: herdamos biologia, ambiente e condição social. Aqui a escrita é documental, quase clínica: descrição minuciosa, foco em cenários degradados, personagem como produto de forças externas. O naturalista quer demonstrar — com pormenores crus — como o meio e a herança moldam comportamentos, muitas vezes expondo violência, sexualidade e miséria com vontade de chocar para provocar reforma social. A linguagem, por vezes, parece objetiva demais, a narrativa segue uma lógica de causa e efeito.

O paralelo entre as duas escolas mostra que, apesar de distintas, elas se cruzam em finalidades: ambas revelam as fissuras do Brasil pós-escravidão, a urbanização acelerada e a luta de classes emergente. Realismo e Naturalismo formam dois instrumentos complementares — o primeiro para dissecar consciências e ironizar; o segundo para diagnosticar e denunciar condições materiais. Se você tem curiosidade histórica ou literária, leia Machado para aprender a sorrir da alma humana e Azevedo para encarar a cidade como laboratório: juntos, eles ajudam a entender como nossa literatura aprendeu a olhar o mundo sem fantasias.

fev 192026
 

Machado de Assis é um dos maiores escritores da literatura brasileira e sua obra é marcada pela complexidade de sua linguagem e pela profundidade de suas análises sociais e psicológicas. Um dos recursos literários que mais se destaca em seus textos é a metonímia, uma figura de linguagem que permite uma relação de proximidade e associação entre dois elementos. Este artigo tem como objetivo analisar o uso da metonímia na obra de Machado de Assis, explorando como esse recurso contribui para a construção de significados mais profundos e reforça as temáticas presentes em suas narrativas.

O que é metonímia?

A metonímia é uma figura de linguagem que consiste na substituição de uma palavra por outra que mantém uma relação de proximidade, seja ela de causa, de parte para o todo, ou algum outro tipo de vínculo. Exemplos clássicos incluem o uso do termo “coroa” para se referir a um rei, ou “o chão” para se referir a um agente responsável por uma ação, como em “ele venceu o chão” ao invés de “ele venceu o inimigo”. Esse recurso não apenas enriquece a linguagem, mas também provoca reflexões sobre o significado das palavras e o contexto em que são inseridas.

Machado de Assis e a representação da realidade

A obra de Machado de Assis é conhecida por sua crítica à sociedade brasileira do século XIX, marcada por questões como o racismo, a hipocrisia social e as desigualdades de classe. Sua forma de ver a realidade é particular, muitas vezes utilizando-se da ironia e do humor, que são potencializados pelo uso da metonímia. A relação entre a parte e o todo se torna um recurso essencial para expor as contradições sociais.

A metonímia em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”

No romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis faz uso de metonímias de maneira intensa e variada. O protagonista, Brás Cubas, é um personagem que representa a elite da sociedade brasileira da época. Através de sua narrativa, Machado expõe a crítica social, e a metonímia aparece como uma ferramenta poderosa para ilustrar essa crítica.

  • A representação do cortiço: O cortiço, frequentemente associado à pobreza e à miséria, é mencionado sob perspectivas que refletem a visão elitista do narrador. A forma como Brás se refere a moradores e espaços revela mais do que apenas um retrato da classe baixa; é uma metonímia da própria injustiça social.
  • O uso do nome “Coração”: Quando Brás menciona a palavra “coração” em diversas passagens, ele não se refere estritamente ao órgão, mas ao amor, à paixão e à fraqueza humana que permeia sua vida e as relações sociais. Essa metonímia revela a conexão entre os sentimentos e a condição humana.

A metonímia em “Dom Casmurro”

Outro grande exemplo do uso da metonímia na obra de Machado de Assis pode ser encontrado em “Dom Casmurro”. A história de Bentinho e Capitu é repleta de nuances e ambiguidades, e a metonímia se conjuga com a paranoia e ciúme do protagonista.

  • Olhos como símbolo de traição: Bentinho frequentemente menciona os olhos de Capitu como traidores. Aqui, a metonímia transforma os olhos, que são apenas um elemento físico, em um símbolo de intuição e de desconfiança que permeia todo o romance.
  • A relação entre amizade e traição: A interação de Bentinho com Escobar demonstra como a amizade pode se tornar uma metonímia do que acontece nas relações entre as classes sociais e as traições emocionais envolvidas. Cada amizade genuína se entrelaça com interesses e expectativas, mostrando como a intimidade pode ser manipulada.

O impacto da metonímia na interpretação dos personagens

Os personagens de Machado de Assis são complexos, e suas interações são muitas vezes mediadas por figuras de linguagem como a metonímia. Essa relação evidencia não apenas suas motivações, mas também suas contraditórias naturezas sociais e afetivas.

Personagens como microcosmos sociais

No contexto da sociedade brasileira do século XIX, os personagens machadianos são microcosmos das tensões sociais que existiam. A metonímia os torna mais palpáveis e representativos de suas respectivas classes sociais.

  • Brás Cubas: Representa a elite que se beneficia da exploração dos menos favorecidos. A metonímia em suas reflexões expõe não apenas seu egoísmo, mas também a vulnerabilidade de uma classe que se vê em risco.
  • Capitu: Através de suas características físicas e emocionais metonimicamente representadas, Capitu encarna o dilema da mulher na sociedade patriarcal. Suas ações são refletidas por meio de conexões que vão além da superfície, revelando seu papel como agente de própria vida e desejo.

Outras obras e o uso da metonímia

Além das obras já mencionadas, o uso da metonímia permeia outros textos de Machado de Assis de forma significativa. Em “Quincas Borba”, por exemplo, a famosa frase “Ao vencedor, as batatas” se utiliza da metonímia para discutir a luta pela sobrevivência, onde o prêmio é reduzido a um mero alimento, que remete à banalidade da vida.

A força do simbolismo

A metonímia não apenas dá voz aos personagens, mas também expressa uma crítica social que ecoa até hoje. O uso de símbolos que se conectam de maneira direta a temas centrais na obra, como a ganância, a traição e a hipocrisia, torna a narrativa ainda mais rica e reveladora. Cada metonímia utilizada promete ao leitor uma reflexão mais profunda sobre a condição humana.

Conclusão

A análise do uso da metonímia na obra de Machado de Assis revela não apenas a maestria do autor em brincar com a linguagem, mas também sua capacidade de criticar uma sociedade complexa e repleta de contradições. Por meio de seu uso habilidoso das metonímias, ele oferece uma visão sutil e contundente das relações sociais e dos dilemas humanos. Assim, mais do que um mero recurso estilístico, a metonímia se torna uma poderosa arma de crítica social, enriquecendo a leitura de suas obras e abrindo espaço para inúmeras interpretações.

fev 182026
 

Os aflitos e necessitados buscam águas, e não as há, e a sua língua se seca de sede; mas Eu, o Senhor, os ouvirei, Eu, o Deus de Israel, não os desampararei.” — Isaías 41:17


  • A Sede Física e o Esforço Humano

O organismo humano tem uma necessidade de água ainda maior do que de alimento. Essa carência é tão vital que, para satisfazê-la, o homem perfura o seio da terra, constrói açudes e represas em sua superfície e chega a subir às nuvens para provocar aguaceiros.

Ouvi certa vez de um patrício que, vindo das ressequidas plagas do Nordeste para uma localidade no Sul, descobriu uma mina d’água na propriedade adquirida. Tamanho era o seu apreço pelo recurso que construiu sua morada exatamente sobre ela.

  • O Dom de Deus

Nas terras do Oriente, marcadas por desertos e escassez, talvez não haja pregão mais impressionante do que o do aguadeiro. “O dom de Deus!”, exclama ele, percorrendo as ruas com o odre ao ombro, oferecendo o precioso líquido em troca de moedas.

Contudo, a Água da Vida que o Senhor nos oferece em Sua Palavra é disponibilizada “sem dinheiro e sem preço” (Isaías 55:1).

  • A Doçura da Fonte Espiritual

Havia, em uma zona rural, uma menina para quem a Bíblia era um tesouro inapreciável. Perto da casinha onde morava, existia uma fonte que fornecia água para a família. O pai notou que, às vezes, a pequena demorava mais do que o necessário na tarefa de buscar o líquido.

Um dia, ele a seguiu sem que fosse percebido. Viu-a depor o cântaro e ajoelhar-se para orar. Esperou que ela se erguesse e, aproximando-se, perguntou:

— Então, minha filha, a água estava doce?

— Sim, papai — respondeu ela. — E se o senhor provasse uma gotinha que fosse da água que saboreei, nunca mais quereria beber das águas do mundo.

  • Promessa e Sustento

Deus promete prover água aos Seus fiéis em tempos de necessidade, sempre que O invocam. Ele cuida até das criaturas irracionais: “Tu fazes rebentar fontes no vale, cujas águas correm entre os montes; dão de beber a todos os animais do campo” (Salmo 104:10-11).

Por mais necessária que seja a água para o sustento do corpo, a água espiritual é ainda mais essencial para a alma. Ela nos é oferecida de forma abundante e gratuita:

“Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” — Apocalipse 22:17


Para hoje: Êxodo 32

fev 062026
 

Sucesso entre os livros mais vendidos, a série de obras “A Song of Ice and Fire”, de George R.R. Martin, é levada à tela quando HBO decide navegar a fundo pelo gênero e recriar a fantasia medieval épica. Este é o retrato de duas famílias poderosas – reis e rainhas, cavaleiros e renegados, homens honestos e mentirosos – disputando um jogo mortal pelo controle dos Sete Reinos de Westeros para assumir o Trono de Ferro. A série foi filmada em Malta e no norte da Irlanda, tendo participação do escritor dos livros.